Quarta-feira, 23 de junho de 2021 PORTUGUESE TIMES Escreva Connosco 19 A Língua Portuguesa é a Fala que Herdamos
•Silvério Gabriel de Melo
Esta e’ a Lingua Portuguesa, que nos orgulha e honramos
Dos povos Luso-galaicos, com muita honra e altivez
Língua da fusão do Latim, do Galaico-português
Mais o Latim Vulgar dos Suevos, Buris, Vândalos e Alanos
É a Fala de Bracara-Augusta, capital da antiga Galécia
De terras de Bouro e da Beira, de Coimbra, e de Lisboa
O Latim vulgar, deu lugar a esta Língua de brio e proa
É a Lingua de Camões, Lingua da Galaico-Lusa Odisseia
É a Língua Portuguesa, é a Fala que a gente fala
A Língua que abriu caminhos p’los quatro cantos do globo
Foi de Lisboa até á Índia, deu ao mundo um mundo novo
No Brasil fez-se brasileira, Língua, de graça tamanha
Esta Língua de quase dois mil anos, com muita garra e valor.
Levada ao coração do Atlântico, a rota dos ventos seguiu
Até Guiné, Angola, Moçambique, Goa , Damão, e Dio
Também Ilhas de Cabo Verde, São Tome e Príncipe, Macau, Timor
…
Esta é a nossa Língua Pátria e Língua da Lusofonia
A Lingua da Portugaliza, a Língua de Portugal
Foi no reinado de D. Dinis que se tornou Língua Real
Mais tarde, a Língua de povos do Brasil, Africa e da Índia
Esta é a Língua da Barca Bela, de uma velha caravela
Que singra p’lo Atlântico abaixo, que singra p’lo Atlântico acima
Por águas do Oceano Indico, por aguas de Ceilão e da Índia
Bahrain, Melaka, Macau, Timor, no outro lado da Terra
Esta é a Língua Portuguesa é esta Língua da amizade
Das aventuras, descobertas e conquistas marítimas
A Língua da gáudio e da luta, de proezas, façanhas, rixas
A Lingua do Vira e da Rusga, do Fado, da Morna e Saudade.
Quando falamos da Língua Portuguesa, costumamos dizer que é a Língua de Camões e com ele a noção de que somos um Povo Luso, da antiga Lusitânia, da Ibé- ria soberana. Contudo, o Português, o nosso idioma, advém da Galiza antiga, da Galécia Romana, mais tarde Galaecia Suevorum, a primeira nação estado na Europa, o Reino dos Suevos. Tanto antes da Galaecia Romana, como durante e depois da Galaecia Romana, durante a Calaecia Suevorum, a capital foi Braga, no coração do Minho Português. Esse reino estendia-se a Sul, até Coimbra e Lisboa; assim também o nosso idioma, a Língua Portuguesa.
Muitos topónimos da região do Minho apontam para as ascendências célticas, como da presença de Roma, e também dos Suevos e Buris. Célticas são lu- gares como Braga, Bragança, Vale de Cambra, Calambriga, Caladunum, Conimbriga, (Cymru) Coimbra. Dos Suevos ficam lugares como Terra de Bouro, Lugar dos Suevos, Manhouce, Valdevez (Wald Vez) e muitos mais topónimos que cobrem toda a região do Norte e Centro de Portugal.
Camões escreveu sobre os Lusíadas, que tem de certo muito que ver ver com os Lusitanos, connosco, os Portugueses, assim como os povos Lusófonos pelo mundo fora; os Lusíadas de hoje. A Língua que usou foi o Português. Escreveu sobre o Povo Lusitano, os Lusíadas.
Ora os Lusitanos eram valentes guerreiros, gen- te impulsiva, intrépida, cheia de energia e de garra. Lusitanos foi o nome que os Romanos deram a esse grupo que associavam aos filhos do deus Dionisio ou Bacus, gente que pareciam constantemente em esta- do de euforia, efusão descontrolada, ou que os Romanos compreendiam como inebriados a tempo inteiro. Dissessem o que dissessem, foram esses Lusitanos, que de todos os Povos da Península Ibérica, mais os apoquentaram e humilharam, impedindo-lhes mes- mo o avanço e o total domínio das terras que só aos Lusitanos pertenciam. Eles eram bons filhos da sua terra e da sua cultura e defenderam-na condignamente, impedindo a livre entrada dos Romanos em seu território.
As guerras na Lusitânia duraram quase duzentos anos. Exímios guerreiros , usavam de tácticas únicas, de ataques de surpresa, de manobras de enorme balburdia e confusão, muita algazarra, mesmo até de espalhafato e “folia.” Eram capaz de desorientar as poderosas legiões romanas e as deixar incapazes de lutar com a disciplina e rigor em que tinham sido treinados. Em terras dos Lusitanos, não mandavam eles.. nenhum povo de fora.
Mérida, Emérita Augusta, ( hoje na Espanha, junto a Badajoz) era a sua capital. Quando os Romanos se aproximaram dela, não contavam com o que encontraram. Os Lusitanos, que não tinham sido bem sucedidos em estancar o avanço dos Romanos até Mérida, haviam cometido, suicídio colectivo, outros fugiram para os montes Hermínios onde se juntaram aos Lusitanos da Serra e a Viriato, seu chefe. Os Romanos, dessa forma não puderam desfrutar de nenhuma vitoria de facto e isso incomodava-os. Roma estava altamente indignada com a impossibilidade de conquistarem toda a a Península e exigiam das suas legiões mais e melhor empenhamento. Achavam que eles se estavam a comportar como um exército amador, incapaz de colocar os guerreiros Lusitanos no seu lugar. Certo é que na Lusitânia foram impossibilitados de fazer escravos. Os Lusitanos combatiam com unhas e dentes, atacavam-nos menos esperavam, conseguiam vitorias uma a seguir da outra, uma guerra de guerrilha.
Viriato, ao contrário do conceito que temos dele de um simples pastor, um homem do campo, é um pouco errónea. Viriato era tanto pastor como guerreiro e druida. como druida era aconselhado pelos druidas , sábios do seu meio, para o que o futuro lhes trazia. Assim, formulou cálculos e planos com uma eficácia igual a qualquer general , não mero pastor. O seu poder e influencia não so abrangiam a Lusitania da Serra Portuguesa, mas alastravam-se ate bem ao centro da Peninsula Ibérica, especialmente ao Sul da Andaluzia, formando uma coligação co os demais povos ibéricos. Era um líder bem conceituado e temido pelo inimigo. O resto da historia sabemo-la de cor.
Mas que gente eram os Lusitanos, que Língua falavam, a que cultura pertenciam. Como os Portugueses, gente em sintonia com o seu meio ambiente, terra de sol, mar e montes, e não só, eram um povo de fé, de rituais que visavam entrar em comunicação com o além, com o mundo dos que já haviam partido, dos deuses e seres de uma outra realidade. Excessivos nas suas crenças eram dos tal que podiam sim, mover montanhas quando lhes desse na breca, ou lhes passasse pela cabeça. Eram ágeis, os primeiros na corrida, no combate corpo a corpo. Providos de falcatas, lanças e punhais de dois gumes, as suas armas eram eficazes. Manejavam-nos com uma perícia fantástica e agilidade espantosa, como que se possessos.
Tinham a capacidade associativa, de se unirem aos outros povos para protecção e para fins comerciais. Das primeiras alianças constou, nomeadamente, a Tartéssia, na antiguidade; Tartéssia, mais conhecida por Társis, a terra de ouro e prata do Antigo Testamento. Eram da mesma família de povos como os Estruscos e o idioma que falavam era dessas origens muito antigas. Introduziram-se na Península Ibérica quase na mesma altura que os Celtas vindos dos Alpes. Com eles partilhavam muitos costumes em comum, até falando uma língua a ambos inteligível. Eram de origem Indo-europeia, a Língua de origem de todas as Línguas europeias hoje. Mesmo enquanto guerreavam com os Romanos, muitos deles, arrojados, audazes, gradualmente se aproximaram dos acampamentos e povoações controladas pelos invasores, alguns para roubar, ou para os sondar, espiar, explorar, melhor os conhecer, ou até furtar, ou se aproveitarem dos novos conhecimentos. Assim fazendo vieram ao encontro da cultura e influencia civilizacional de Roma. Reconhecendo um nível superior das forças romanas; impressionados com os hábitos e costumes sofisticados desses invasores, por sua própria iniciativa, fizeram o que se faz em Portugal hoje, viam e gostavam do que viam, aceitaram essas ideias, copiaram-nas, aderiram. Em outras palavras tiraram um bom partido da presença dos Latinos no seu meio. Nunca chegaram ao ponto de capitular com Roma como vencidos ou derrotados, antes pelo contrário; rapidamente se adaptaram por sua própria conta, demonstrando a Roma não serem um Povo de escravos, mas de “Pachecos” e “Francos”, palavras a que se dava aos povos não subjugados a Roma, mas com qualidades de cidadãos, livres, os que tinham o direiro de levar a sua vida em Pax, como em França, o Povo dos Francos. Eram um Povo disposto a mudar, a fazer o melhor por si mesmos, a aceitarem os grandes desafios, sempre dispostos a trocar o que tinham pelo que lhes trariam uma mais valia, de tal forma que até a sua própria Língua trocaram pelo Latim Vulgar. Eram intrometidos, ambiciosos, insaciáveis e conseguiam tudo que queriam pelo esforço, luta, jogo, birra e fúria.
Assim, os Romanos conseguiram ter mais sucesso com os Lusitanos na paz do que na guerra. Os Lusita- nos, agregaram-se tão congenialmente aos Romanos que houve mesmo, uma famosa legião composta unicamente de Lusitanos, empregada no Norte de Africa. Era a legião de honra romana, mas toda ela composta de guerreiros lusitanos. Por isso, gradualmente, Os Lusitanos, passa- ram a falar a Língua dos invasores e fazerem parceria com eles. O seu próprio idioma, caído em desuso, pas- sou a ser falado apenas pelos anciãos, os druidas, os mais velhos, e o Latim vulgar, o Latim do povo, passou a ser a Língua franca. Algumas palavras, as mais chegadas ao seus corações, continuaram a ser usadas e chegaram até nós, como a palavra, “Mãe” do celta Mamm, “cama,” palavra do antigo celta, peça de mobiliário desconhe- cida pelos Romanos, que depois passaram também a usar. Do Celta ficaram as palavras ‘urraim,” “honra” faca, “brio,” “bessos” (beços), barra, bode, abrigo, bosta (de vaca), calhau, cais, camba (arco de roda), cambada, choco, chocalho, colmea, (feito de palha), coroa (topo de um castro) topo de um caminho no alto, dorna (punho), minhoca, rego, regato, tasca, tranca, trincar, trebo, trogo (mágoa), varga (cabana de caniços), xenreira (ódio hereditário). Topónimos, ou nomes de lugares e nomes de famílias de origem Celta estão por todos os lados e, infelizmente, historicamente pobremente documentados. Passam por ser de origem incerta, de origem vaga ou desconhecida, e assim passam por ser palavras a quem roubaram as raízes.
Era Português já o Latim Vulgar? A Língua Portugue- sa não vem directamente do povo Lusitano, mas sim através do Latim Vulgar de origem do Povo Galaico, do Norte de Portugal, da antiga Galiza. Foi nos finais do império romano, que hordas de tribos de origem ger- mânica se introduziram em terras de Braga, a capital dos Galegos. Eles eram os Suevos( Alemmani), os Buris, Vândalos e Alanos. Foram os Suevos que já falando a Língua Latina ou Latim Suevo vulgar, ao chegaram á Galiza ou Reino da Galaecia Romana, formaram o primeiro Reino ou “estado” moderno da Europa, com leis firmes e claras, normas escritas, Língua e religião própria. A eles é que se deve o rigor e disciplina de uma estado de direito que não só oficializou o Latim Vulgar por eles falado, mas com o apoio da Igreja e de São Martinho de Dume cristianizou o Povo galaico. Usaram mesmo, ás vezes, a força para obrigar os Galaicos a parar com algumas prácticas religiosas pagãs. Marti- nho de Dume era de origem da Panónia e conhecia a cultura dos povo da Galicia do centro da Europa que falavam a mesma língua e tinham costumes idênticos. Por isso, não poupou aos Galaicos ibéricos de formas de educar e de convencer, mesmo á “porrada.” Foi nes- sa altura que baniram o uso de nomes pagãos e deram aos dias da semana uma ordem de número ordinários, como Segunda-feira, Terça, Quarta, Quinta e Sexta. Ba- niram todo o culto á natureza, feitiçaria e xamanismo. A sua acção durante o período de duzentos anos, fez de Braga a Roma portuguesa. Foi em Braga que Reino dos Suevos teve um efeito civilizador que nos transformou no Povo que somos. Foi do Latim Vulgar dos Suevos, que a Língua que falamos se tornou a “nossa Fala.” Durante a Idade-Media passou-se a dominar esse idioma o Galego-português, a Língua até falada na corte de Leão, com Alfonso X. Esse idioma espalhou-se por toda a Galécia, incluindo parte das Astúrias, Leão, terras do Porto, das Beiras, Coimbra até Lisboa. Eventualmente os Visigodos do interior da Península desceram sobre o Reino Suevo e passaram a controlá-lo. O impacto dos Visigodos não conseguiu extinguir muito do que se tinha tornado a região da Galaecia Suevorum, hoje compreendida pela Galícia (Espanhola) Galiza (Norte de Portugal), parte das Astúrias e zona das Beiras, Coim- bra e Lisboa. Nem a invasão e domínio árabe conseguiu erradicar a raízes do Galego-português, do Português do Condado Portucalense, Portugália a Portugaliza mais tarde.
Foi então depois da era de reconquista, que debaixo da influência e poder do Rei D. Dinis, que o Português foi oficializado como o idioma da corte e de assuntos governamentais. D. Dinis era neto do Rei de Leon e lembrava-se do Galego -Português ter sido a Língua falada na corte de seu avô, a Língua dos trovadores Galegos-Portugueses. Ele próprio era um poeta e trovador, que cantava cantigas de amigo e apoiava a literatura de expressão Galego-Portuguesa. O seu amor pela Língua da corte de seu avô de Leon, fez com que o Português, se tornasse a Língua dos Portugueses, a nossa Língua, Língua de Camões, ele, cuja a família ascendia a uma origem Galega, da Galícia (espanhola).
Esta uma simples sinopse da História da nossa Fala, isso tanto do Português que falamos como do Galego, ambas derivadas do Galego-português da Idade Média. A Língua céltica Galaico-lusitana, essa desapareceu com a aculturação voluntaria dos povos tanto Lusíadas como Galaicos de usarem o Latim Vulgar falado naquela altura também pelo Reinado das Astúrias e o Occitano do Sul da França.
Também devemos não esquecer que a função da Igreja com todo o latim que se falava naquela época, também foi factor amalgamante do Latim Vernacular ou Vulgar. Nem todas as Ave-marias e Pai-nossos eram em Latim clássico, mas através do Latim Vulgar Português, da função da Igreja e estado Suevo, conseguiu-se uma idioma comum a toda a região que conhecemos hoje como Portugal.
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