COISAS DESTAS ILHAS

Sunday, August 09, 2009


As Festas da Praia

As festas da Praia voltaram a arrebentar como um vulcão. Em tempo de crise, quem se queixa de um bocadinho de euforia, de bem-estar, de alegria?

Contudo, também e salutar chamar-se as coisas como elas são. Todos as noites de festa ofereceram um divertimento que em terras de gente civilizada chamou logo a atenção e que metem pessoas conhecidas alemães logo a comentarem, “ Só aqui na Terceira se permitem coisas destas!”

Trata-se de passeios de pony as 9:30 da noite para as crianças; isso todas as noites durante a semana.

Depois, hoje, Sexta-feira, oferecem um cortejo espectacular, , de novo a horas das crianças em terras ditas civilizadas tem os seus filhos na cama. As 10:00, 11:00 e meia-noite, que é que as crianças fazem ainda de pé?

Pessoas relacionadas com a organização admitem que as crianças se tornam hiperactivas, desatentas, difíceis de se controlaram. Não é de admirar. Ao celebro de uma criança não se pode roubar ao sono. Contudo o povo e a festa assim o exigem. Como a vontade do povo é que mais ordena, viva a imbecilidade do povo!

Numa sociedade que se julga no topo do progresso, realidades como essas colocam-nos logo na retaguarda de hábitos e costumes europeus. A demais, o próprio cortejo de festa de tão exótico passou a uma aberração. De novo dos meus amigos alemães ouvi comentários como “parecem bruxas! Só lhes faltam as vassouras.”

O cortejo abriu com um grupo de marchas com talento e de boa organização e gosto, mas logo a seguir desfilaram umas moças de pernas tão compridas e tão mascaradas, com penteados tão exóticos que pareciam sim feiticeiras saídas dos contos de C.S Lewis, nas Crónicas de Narnia, a famosa feiticeira branca. O exagero do exoticíssimo emprestou ao cortejo um pouco do ridículo.

Em tempo de crise, espantaram-se os meus amigos alemães também com o fulgor e luxo das apresentações. Alguns fatos rondando os milhares de euros, eram um insulto ao espírito destes tempos difíceis. “A crise realmente não chegou ainda a Terceira,” criticam os meus amigos alemães, “ Quando chegar,” retorquiu outro, “sobem os impostos, os roubos e os preços.”

Cortejo do género do Disney Land ou Disney World, nesses parques de diversões investe-se para muitas noites. Nesta ilha de Peter Pan, dos adultos que nunca cresceram, que pensam como as crianças, acharam tudo fantástico, espectacular e ninguém achou motivo de crítica ou de mal, mesmo quando todo esse investimento de dinheiro foi só para um noite de Verão. “ O país deve ser rico,” comentavam os meus amigos alemães, talvez muito rico.” E em zombaria “Talvez como os Judeus?” “Jawohl!” vinha a resposta.

As crianças andavam por todo o lado a meia-noite, à uma, às duas. Depois os meios de comunicação publicam os jornais como fotos coloridas e o narcisismo da festa satisfazem todos. Permitiu-se o abuso das crianças para toda essa vaidade e pompa, roube-lhes o sono e ensinou-se-lhes que a festa e a vaidade vale mais do que o sono deles. Depois vestem-nos e fazem-nos actuar como adultos. Roubam-lhes a infância e inocência.


Quando mais tarde os obrigam para a cama, ensinam-lhes a falta de integridade. Pois quando o fazem só o fazem por egoísmo, para se verem livres deles, e as crianças topam e depressa que os adultos desta Terceira não passam de mentirosos, ostensivos, obsessivos, de crianças tolas que nunca cresceram; que são sim seus iguais na incapacidade de se controlarem a si próprios, só melhores no abuso e na falta de integridade. Que a vaidade é um valor superior; melhor do que o amor de pai e de mãe pelos filhos, do que a responsabilidade e madureza; que vale ser inconsequente e negligentes. Isso aprenderam as crianças da Praia da Vitória nestas festas.

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